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CRÓNICAS DE ARQUITECTURA

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PEDRA ACRÍLICA: DESAFIOS NA HORA DE PROJETAR

A primeira das "sessões técnicas" Archiwood by Banema, tendo como tema a "pedra acrílica", ocorreu no passado dia 23 de março, no Porto, na nova sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, e contou como oradores, os arquitectos José Manuel Sanz [ETSAM (Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid), 1974; Professor de Projecto na mesma ETSAM, desde 1980] e Miguel Ribeiro [FAUP, 2001; Sócio fundador da empresa CREA], que apresentaram, respectivamente, o projecto de remodelação do Centro de Información Turística, na Plaza Mayor, em Madrid, e o projecto de Remodelação de uma casa burguesa do século XIX, na Rua Quinze de Novembro, no Porto.

Oscar Zarzoso, Regional Manager para Espanha da LG Hausys, encerrou a sessão, tendo a seu cargo a apresentação do produto "pedra acrílica" da Hi-Macs®.

Interessante, à partida, foi o facto dos arquitectos, salvaguardadas as diferenças tipológicas das intervenções, terem ambos mostrado projectos de remodelação e recuperação de situações existentes, dando corpo a uma tendência cada vez mais expressiva, de consciência e respeito pela salvaguarda de valores que podem, com facilidade e engenho, continuar a servir-nos, tal como o fizeram no passado, mantendo um equilíbrio patrimonial e introduzindo maior variedade, escolha e vibração nas cidades contemporâneas.

O projecto de Remodelação do Centro de Información Turística, que já ocupava o piso térreo da histórica Casa de la Panadería (Diego Sillero, 1590-1599, posteriormente enquadrada na fachada norte da Plaza Mayor, projectada por Juan Gómez de Mora em 1636), em Madrid, procurou, sobretudo, restituir ao espaço a dignidade seiscentista que as intervenções mais recentes tinham desvirtuado. Pretendeu-se tornar a dar relevo ao tecto abobadado da grande sala, escondido pelos dispositivos de iluminação e ar condicionado, sobretudo, mas também clarificar a presença do pátio que, atrás, a enquadra e que mal se dava a ver, escondido pela multiplicidade de secretárias de trabalho e painéis informativos.

Duas peças em LG Hausys, então, dois balcões de atendimento, modernos e sinuosos, sem se pretenderem confundir com o espaço inicial, enroscam-se à volta dos pilares perto das paredes laterais, permitindo ao público a ocupação do centro da sala e a visão plena das impressionantes abóbadas que suportam o piso superior. No pátio, um terceiro objecto-balcão continua este jogo, agora sob um elegante persianado que controla a incidência de luz diurna e oculta a iluminação artificial que banha o recinto. A multiplicidade de informação turística foi disciplinada num videowall, horizontalizado ao longo da periferia do pátio, constituindo-se num chamariz para o público que, antes, pouco avançava para o tardoz da sala.

Uma intervenção de grande precisão e clareza que veio trazer, ao piso térreo do espaço seiscentista, uma nova vida potenciada pela inteligência e simplicidade da remodelação.   

Seguiu-se a explicação do projecto da remodelação operada numa casa burguesa dos finais do século XIX, na Rua Quinze de Novembro, no Porto, que Miguel Ribeiro intitulou, "Os problemas simples de uma cozinha banal".

A casa, uma moradia da década de 1870, com dois pisos voltados à rua, em lote estreito e comprido, com um jardim a uma cota mais baixa permitindo a acomodação de uma cave, foi meticulosamente restaurada, com aproveitamento dos materiais e pormenorização iniciais (portas e janelas, portadas, alizares, balaustradas, escadas, generosos rodapés).

O problema, como o título da exposição deixava perceber com humor, terá sido a cozinha e uma certa "relutância", mais física que espacial, em acomodar as bancadas revestidas a "pedra acrílica". Não existindo já azulejos no espaço da antiga cozinha, optara-se por manter as paredes nuas; no entanto, os estuques cederam, na fronteira com os móveis e o tema teve que ser resolvido com pragmatismo: revestiram-se as paredes com o mesmo material e cor dos tampos, conquistando, assim, uma insuspeitada continuidade visual que o pavimento existente, depois, em mosaicos de pasta de cimento, com motivos ingénuos, veio ainda mais alegrar e enfatizar.

A operação inquiriu do espaço o que ele "quis ser" procurando apenas introduzir o moderno quando o original se mostrou desapropriado. E a nova vida da casa irá procurar, agora, nas potencialidades iniciais, os significados que entender contemporâneos.

Mgd,

2017-05-28

 

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